terça-feira, 13 de março de 2018

Coisas que Escrevo 57 - Melissa.

Sabe, hoje eu quero fazer algo diferente. E com diferente eu quero dizer que vou fazer algo que está ainda mais longe de qualquer outra coisa que eu me imagino fazer, mas o que exatamente?

Foi com esses pensamentos que eu me lembro de ter acordado naquele primeiro dia, e que muito provavelmente foram esses pensamentos que me levaram a dar início ao momento em que eu estou hoje.

Eu já havia feito de tudo até aquele momento, pelo menos tudo o que eu conhecia em meu pequeno mundo. Já tinha aprendido a me expressar, a tentar barganhar quando queria algo, a conversar com estranhos, a desenhar em meu bloco de papel, a brincar nas ruas, a chorar por manhã, a usar as coisas que vinham a ficar cada vez mais avançadas com o passar do tempo, se eu fosse resumir poderia dizer que já havia feito tudo de uma vida. Mas foi aí que você por um mero acaso descobre que não é bem por aí. E foi assim que conheci, Melissa.

Só por curiosidade, comecei a me aventurar no que estava na moda naqueles tempos. Estava sendo introduzida uma nova forma de conhecer desconhecidos. Fazer coisas irreais se tornarem reais e tudo partindo de uma simples conversa através de uma tela digital. Para todos, aquilo era muito revolucionário, mas para mim era apenas um meio de se jogar um jogo virtual com alguém a quilômetros de distância. Mas como qualquer outra pessoa curiosa quando compra um brinquedo novo, logo fui me aventurar pelos meios virtuais que me levariam a encontrar e conversar com alguém, com Melissa para ser mais exato.

Aos poucos me familiarizei com as maneiras de como as pessoas interagiam nesses ambientes virtuais, comecei a entender as nomenclaturas, as formas mais rápidas de chamar uma atenção e partir para a razão de todo esse sistema existir que era de fato, conhecer alguém. Sempre que eu tentava me conectar, tentava por horas a fio encontrar alguém que tivessem coisas semelhantes comigo, mas muitas eram as conversas frustradas ou irrelevantes que me levavam ao que logo viria a me fazer perder o interesse por aquela coisa tão mirabolante. Conheci algumas pessoas sim, isso eu não posso negar, mas nenhuma que me fizesse acreditar que algo virtual pudesse se tornar de fato algo mais, que pudesse virar algum tipo de realidade.

Foi então que em uma das seções eu me deparei com Melissa.

Em uma noite como outra qualquer, no meu dia de folga, estava eu a digitar com outras pessoas, sem nenhuma pretensão, pois já sabia que de nada me levaria as conversas vazias que vinha tendo, e foi quando assim de repente alguém me chamou para conversar. Como qualquer início de conversa, a primeira coisa é saber de onde a pessoa é, para se ter uma ideia do quão difícil vem a ser levar uma conversa mais a fundo, afinal sendo pessimista, depois de muito o que conversar o ideal é marcar de sair com a pessoa que está a tanto tempo conversando contigo, afinal, será a primeira vez que você vai ver aquela pessoa que já estaria instalada em sua rotina. Fiquei meio perplexo por ela morar do outro lado do país em que eu moro e mesmo já desanimando no início por saber que nunca viria a conhecer, decidir ser bem-educado e continuar a conversar com ela, apenas para passar o tempo. Eu comecei aos poucos a me apaixonar. Tudo nela era extremamente interessante, as coisas que ela gostava, o modo como ela pensava, as coisas que já havia feito, tudo tinha um quê, que me deixava cada vez mais interessado naquela que eu havia a pouco conhecido. As horas se passaram, mas a impressão que eu tive era de que foram apenas alguns minutos de tão em bom tom que a conversa caminhava, mas logo chegou a hora de nos despedirmos. Como eu poderia deixa-la escapar por entre os meus dedos, agora que eu havia encontrado alguém que realmente valia a pena? Meio sem jeito lhe perguntei se ela voltaria no dia seguinte e para minha surpresa ela concordou desde que eu acessasse também o mesmo objeto de interação. Combinamos mais ou menos um horário de nos “encontrarmos” e assim, fomos seguindo dia após dia.

Era tão incrível conversar com ela, como isso era possível? Nós sempre marcávamos nossos encontros e tanto um quanto o outro sempre estava lá, na hora que marcávamos. Não era uma lei, era só vontade de conversar entende? O papo, as brincadeiras, as lamentações, as felicidades, tudo nos era compartilhado e eu sem saber ia cada vez mais me interessando e me apaixonando por aquela moça que eu nunca tinha visto, mas que eu sabia que ali existia, porque não era possível alguém inventar tantas coisas sobre sua vida assim sem mais nem menos, e a troco de que? Afinal tudo o que tínhamos um do outro, eram as conversas.

Com o passar do tempo, queríamos deixar as coisas mais pessoais e eu lhe dei o meu contato de correspondência direto e partimos do canal digital em grupo para conversas de um com o outro e mais ninguém. Não que fizesse alguma diferença, porque quando ela estava comigo eu não conseguia prestar atenção em mais ninguém que me chamava nas conversas, afinal tudo o que eu havia procurado desde então, estava comigo ao meu “lado”.

Um dos momentos mais difíceis que passei com ela foi quando ela me pediu que enviasse uma foto. Além do fato dela pedir para eu lhe enviar algo meu, qual foto eu deveria escolher dentre todas as que eu tinha disponíveis em minhas mãos? Eu não parecia bonito em nenhuma! Será que o problema era que eu não era bonito então? E se ela também achasse que eu não era o bastante e sumisse? E se por isso ela nunca me mandasse uma foto? Eram tantas as minhas dúvidas que demorei alguns dias até me decidir, mas mandei a foto que eu achei que estava em melhores condições e esperei. Não demorou muito para ela receber e dizer que eu era tão lindo quanto ela esperava e quando eu recebi a dela eu tive a certeza de que a projeção de Melissa que eu tinha meus pensamentos, batiam exatamente com a senhorita que agora eu tinha a visão. Como eu estava feliz e cada vez mais apaixonado.

Foi depois disso que o fator distância começou a incomodar. Afinal agora tudo o que faltava era vê-la pessoalmente para poder ouvir sua voz também. Sim, eu até então não tinha ligado para ela, pois estar do outro lado do país, tornava inviável tal necessidade, então a forma mais tranquila de ouvir a doce voz dela viria a ser encontra-la pessoalmente, mas como? Ela estava a literalmente milhares de quilômetros de distância e eu não tinha como me locomover sem nem ao menos dirigir. Foi então que tive uma ideia, chegaria o final do ano e eu poderia pedir de aniversário um presente à um tio bem próximo, que no meu aniversário costumava atender um pedido meu. Fui até ele e disse minha ideia, dele me levar até lá para que eu pudesse encontrá-la. Ele achou de uma extrema bobagem, mas quando chegasse a hora disse que conversaríamos.

Ansiosidade me definia. Eu já havia contado a Melissa sobre a grande novidade e ela ficara extremamente feliz, tanto quanto eu e eu comecei a contar os dias para chegar. Conversávamos tanto, nos curtíamos tanto, e queríamos tanto nos ver que eu não via o porquê esperar tanto por algo que poderia fazer toda a diferença. Pensei em algo durante dias, e o que me fez parecer meio estranho para as pessoas, só desabrochou no dia em que eu lhe pedi, “quer namorar comigo?”. Foi com essa frase que eu escrevera a última mensagem para a Melissa.

Não tive resposta aquele dia. Bem ela poderia estar ocupada e não teve tempo de ver suas mensagens.
Não tive resposta no dia seguinte. Bem ela poderia estar viajando e se esqueceu de me avisar.
Não tive resposta naquela semana. Será que aconteceu alguma coisa?
Não tive resposta na outra semana. Bem, eu fui o mais idiota de perguntar algo assim por mensagem eletrônica. Ele deve ter perdido todo o interesse em mim e agora está com medo de falar comigo e eu a pedir em casamento. Como eu posso ser tão burro dessa maneira?
Não tive resposta naquele mês. Será que ela está doente? Será que aconteceu algo mais grave?

Eu tentava me segurar, mas a vontade de entender o que havia acontecido era grande demais. Eu havia mandado outras mensagens pedindo desculpas, perguntando se eu apressei demais as coisas, se ela estava brava, se tinha acontecido algo, me lembro do dia de escrever chorando se ela poderia conversar comigo apenas para eu saber se ela estava bem. Ela nunca retornou.

Como as coisas passam, essa era mais uma delas e demorou acredito que três meses para eu ficar tranquilo e relevar o que viria a ser um ano perdido para meu coração. Eu havia encontrado algo naquele treco eletrônico e quando tentei trazer para o mundo real por acreditar que estava pronto, o mundo desabou sobre a minha cabeça. O aprendizado ficou e a distância das coisas que me lembrassem de Melissa era inevitável.

Foi quando em um dia durante a semana, eu recebo uma mensagem eletrônica dela.

“Olá. Meu nome é Juliana, e eu estou mandando essa mensagem com um grande aperto em meu coração. Eu e meu marido discutimos muito antes de eu enfim lhe escrever mas acho que você que abriu tanto seu coração deve ao menos uma explicação sobre o que aconteceu. A Melissa nunca existiu. Por estarmos com tédio, eu e meu marido entramos na rede social de conversas digitais e resolvemos que iriamos conversar com alguém e inventar sobre alguma pessoa apenas para nos distrair, e naquele dia era você que estávamos a conversar. Por pura brincadeira resolvemos deixar a coisa evoluir e ver até onde iria, por isso tudo o que falávamos era invenção, entravamos sempre para ver até onde sua ingenuidade ia, e cada vez mais mentíamos para ti inventando alguma nova história sobre algum assunto que liamos, ou que pensávamos só para fazer mais crível essa história. A foto que mandamos, é de uma garota de verdade sim, mas a pegamos no acesso de procura universal. Digitamos uma palavra chave qualquer e a foto da garota que mais se assemelhava aos nosso relatos foi a escolhida e lhe enviamos sem compromisso nenhum. E por mais incrível que possa parecer, acredito que ainda estaríamos conversando com você falando em nome de Melissa, se você não tivesse feito o que fez. Quando recebemos o seu pedido de namoro, foi como se um choque de realidade batesse em meu coração, até onde estávamos indo com uma criança que mal sabe interpretar o quanto a vida pode lhe enganar? Foi quando desaparecemos e paramos de lhe responder. Meu marido era da opinião de apenas sumir e esquecer tudo o que lhe fizemos, que uma hora ou outra você iria cair em si e deixar as coisas seguirem, mas pra mim, eu queria muito lhe contar a verdade, acho que pelo menos isso é algo que eu lhe devia e por isso eu estou aqui lhe mandando essa mensagem e lhe pedindo minhas sinceras desculpas.”

Acredito que depois de ler, foi como se o meu tempo ali estivesse congelado. Eu durante vários minutos não consegui desviar o meu olhar mas meus olhos não paravam de se mover, relendo algumas partes aqui e ali de tudo o que eu havia recebido. Palavras chaves pipocavam em minha mente e eu acredito que naquele momento eu consegui ouvir, o meu castelo ruindo pedaço a pedaço.

Silêncio.

Me levantei, apaguei a última e todas as mensagens anteriores daquele destinatário fui até meu quarto e chorei. Não consigo mensurar a dor que tive naquele dia em saber que tudo o que acreditara naquele mês não passara da invenção da cabeça de duas pessoas. Eu não conseguia acreditar no porque de ter acontecido logo comigo, algo tão surreal assim, afinal eu era o último a acreditar que algo daquele mundo poderia se tornar realidade, mas ainda sim, mesmo despois de ter tanta certeza de que tudo não poderia passar de conversas jogadas ao vento por pessoas que perdiam tempo, eu em alguma brecha me permiti sonhar e deixei alguém entrar. Então porque, logo a pessoa que eu permiti fazer parte de meu mundo não existia? Irônico não é? Você acreditar tão cegamente em alguém que não vê, que nunca esteve realmente ali, mas que consegue te fazer se entregar tanto e com tanta força, força essa que agora eu conseguia sentir em meu peito. A vontade de puxar ele com toda a força e jogar para um lugar tão escondido, que nunca, ninguém mais poderia encontra-lo para que ele nunca mais fosse machucado. Eu chorei. E chorei por muito, muito tempo sem que ninguém soubesse, afinal eu fui enganado e não deixaria ninguém descobrir mais isso. Ninguém descobrir mais quem eu sou. Ninguém mais deve entrar, porque em algum momento, eles vão me machucar. Eu sei. Eu sinto isso. Eu estou chorando por ser tão idiota a esse ponto, mas eu nunca mais vou me deixar levar. Nunca mais vou deixar que me enganem dessa maneira tão despretensiosa. A mentira que eu me permiti viver é a maior mentira que alguém pode encenar, mas agora, agora todas essas lágrimas e dor vão me fazer lembrar do porque eu não devo deixar ninguém fazer parte de minha vida.

Silêncio.

Queria poder conversar com Melissa...


Fernando Vilela Paciencia.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Coisas que Escrevo 56 - Em uma Noite Qualquer.


Em meio a tanta coisa amontoada no meu dia a dia, eu hoje quando distraído, percebi que estava contemplando o céu.

Deixei por alguns poucos segundos de pensar no quanto eu preciso de dinheiro, no quanto eu preciso estudar, no quanto eu preciso correr, no quanto eu preciso trabalhar e nesse momento eu olhei para as estrelas. Hoje está uma bela noite sem luar. O vento abafado entra pela minha pele, mas eu não me importo porque eu sei que este vendo úmido está a me preencher de tal maneira com que eu consiga enxergar além de meus problemas, além de minha vida, além de meus pensamentos.

Estou parado em plena multidão, multidão essa de pessoas que assim como eu não conseguem perder seus preciosos segundos para reparar naquilo que está além dos seus olhos. Esquecem do porque estamos lutando tanto para conseguir um lugar e ficam andando de um lado para o outro tentando encontrar a reposta para alguma pergunta que nunca lhe foi feita. Não conseguem ver algo que está diante de seus olhos, tão sublime, perfeito e que por um mero capricho nos foi deixado como lembrete, lembrete de que não somos o centro da vida, e sim que a vida é o centro de tudo.

Um tudo que só existe para que não possamos suspeitar que haja um nada.

Eu estou aqui parado em meio a isso tudo e nesse instante me encanto em perceber que hoje é uma bela noite de verão. O calor que de manhã era insuportável devido aos meus trajes de trabalho agora não são tão relevantes, o término do meu horário de almoço e a necessidade de que preciso voltar ao trabalho, não é mais importante do que o que eu consigo agora enxergar.

Agora eu entendo que eu não devo mais voltar a ser aquele que eu era a alguns minutos. Alguém que só se importava com as aparências, dinheiro e com tudo o mais que o mundo adulto me ensinou a cultivar e a buscar. Enquanto estou parado e olho as estrelas, lembro que existe um motivo sim para lutar, mas também que existem muitos outros para sorrir.

Eu estou aqui sozinho no meio de todas essas pessoas. Sei que devo estar sorrindo porque isso não sai da minha cabeça e eu acho muito engraçado ter demorado tanto para perceber algo tão simples. E talvez seja essa mesmo a graça, a de não saber o que fiz até que esteja feito. Acho que é isso mesmo. O céu está tão lindo hoje. A brisa aconchegante. As estrelas tão brilhantes. E a minha vida tão simples.

Eu vejo hoje o quanto sou pequeno no meio de tantas maravilhas, que por capricho de ninguém conseguem fazer o ciclo mais equilibrado que eu poderia imaginar. Enquanto eu estava tão fadado a me lamentar transformaria essas reclamações em uma rotina, quando que na verdade eu deveria era aceitar tudo o que acontece e tentar me transformar. Transformar tudo o que preciso mudar em coisas que posso conseguir com bastante esforço. Meus medos são tão pequenos perto do mundo que posso conquistar. Em qual momento de minha vida será que me deixei desacreditar dos sonhos? Em qual momento eu me perdi do caminho e me escondi cada vez mais para nunca mais alguém pudesse me encontrar?

Eu não sei. Eu não consigo me lembrar mais de coisas de quando eu era só um menino, mas depois de hoje eu agora sei uma maneira de me guiar. É muito engraçado chegar nessa conclusão hoje e bem no momento em que eu acabei de fazer algo que deveria ter feito a séculos. Parece que o que fiz era o suficiente para me dar o estalo de que eu precisava para me livrar dessas amarras que eu sinto ter, e eu não posso lamentar sobre o que vai acontecer a partir desse momento.

Tem uma coisa que eu me lembro. Eu me lembro de como o dia começou hoje. E me lembro como eu achei que fosse acabar, mas a partir do momento em que você disse "eu também te amo", de alguma maneira essas palavras me fizeram renascer. Eu não imaginava o que essa pequena frase pudesse fazer ao meu coração antes destroçado por muitas outras coisas, mas agora que essas palavras foram ditas, me pego parado no meio de milhares de pessoas que vem e que vão, de pé olhando as estrelas, pensando em você e com um único sentimento em meu coração.

O de que é com você que eu espero me casar.


Fernando Vilela Paciencia.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Coisas que Escrevo 55 - O meu Desejo.

Quantos desejos seriamos capazes de realizar se tivéssemos a oportunidade?

Se eu parar para pensar, eu gostaria realmente de realizar apenas um desejo. De que todas as pessoas fossem felizes.

Eu desejaria que cada pessoa que está a minha volta pudesse encontrar tudo aquilo que sempre quis, aquilo porque luta e tudo aquilo que acreditasse que merecesse.

E eu desejaria que essas pessoas tivessem todas as coisas maravilhosas da vida apenas pelo simples fato de estarem ao meu lado durante todo esse tempo, por me apoiarem e me ajudarem em todos os momentos que eu mais precisei.

E como eu não tenho um gênio da lâmpada que possa me ajudar a conceder meu único desejo, eu venho hoje até vocês, para dizer "OBRIGADO".

Sei que em muitos momentos eu devo ter parecido ausente, ou até mesmo presente de mais.... Sei que deixo o meu aplicativo de mensagens instantâneas ligado no computador enquanto estou fazendo qualquer outra coisa o que faz parecer que ainda estou ali, e quando você me chamar eu não vou responder imediatamente mesmo "estando disponível" porque eu não estarei ali naquele momento. Sei que as vezes eu lhes envio mensagens durante todo o dia e no mesmo instante que você me responde eu já envio algo de volta, e se por algum acaso você estiver atarefado com algo que não seja eu, isso me trará um sentimento de que você não está comigo, mesmo que você esteja apenas terminando as suas coisas e que logo menos virá falar comigo.  Eu entendo que sou ciumento e as vezes possessivo e nem sempre dou a reciproca a você que com certeza também precisa.

Você estava aqui ao meu lado e sabe que eu estive em um momento muito delicado da minha vida. Fiz coisas que ninguém acreditaria que eu pudesse fazer e é uma das razões pelas quais alguns me condenaram. Outros apesar de concordarem com as atitudes que eu tomei, mesmo assim disseram que eu estava agindo de uma maneira errada. Mas entre esses e outros sei que alguns como você, ficaram do meu lado.

Em muitos momentos eu sei que errei. Eu não sou perfeito. Sou chato, criança, bobo, orgulhoso, teimoso, preguiçoso, pessimista, chorão, sou muito exagerado no que sinto e tenho muitos outros defeitos. Mas pode ter certeza que eu nunca quis fazer ninguém sofrer ou chorar pelas coisas que eu fiz. Eu de todas as pessoas que você pode conhecer, acredito que seja aquela pessoa que sempre vai pensar primeiro na outra pessoa. Se você estiver com sede, eu irei e comprarei um refrigerante com a desculpa de que estou com sede também, vou dar uns dois goles e deixo o restante para você. Se você estiver com fome, eu vou te chamar para comermos mesmo que eu tenha acabado de almoçar. Quando quisermos algo em comum pode ter certeza de que você virá em primeiro lugar. Pelo menos é assim que eu me imagino.

Eu me pergunto as vezes se eu sempre fui assim? Ou se eu me mantenho seguindo essa mesma convicção ao passar dos anos. Talvez isso não seja um defeito e sim uma qualidade muito grande. E por mais incrível que possa parecer, quando eu imagino que sei o que é melhor a ser feito eu acabo descobrindo que o que fiz na verdade acabou sendo a pior decisão que eu poderia tomar. Mesmo que eu houvesse agido na melhor das intenções acabo machucando alguém que eu só queria proteger.

Talvez isso possa ser classificado como orgulho. Eu coloco na minha que cabeça que eu estou fazendo o certo e não dou o braço a torcer. Eu nunca entendo exatamente como as coisas chegaram até o ponto em que estão, onde eu abri meu coração e disse tudo o que pensava e fiquei esperando. Esperando algo acontecer depois que eu tomei uma decisão. Esperei por muito tempo até que eu esgotei. Esgotei minha vontade, esgotei minha razão, esgotei meus sentimentos, esgotei minha paciência. Esperei por muito tempo até que eu esgotei.

Cheguei em um momento em que meu castelo de areia desmoronou e não quero mais reconstruí-lo a partir dos seus escombros. Vou jogar um balde de água no meu castelo para que assim ele possa desaparecer, quero sentar e ficar admirando-o enquanto seus alicerces húmidos comecem a ruim e ele se desfazer a cada segundo a mais, para que depois eu possa me erguer e bater com minhas mãos transformando esse monte de areia molhada em uma outra superfície lisa e de novo eu possa começar algo do zero. Quero tentar reconstruir todos os meus sonhos, pedaço por pedaço, caminho por caminho e escolha por escolha.

Mas o que eu deveria fazer para conseguir realizar esse meu desejo? O desejo de desfazer qualquer outro erro meu para conseguir fazer com que todos sejam felizes?

Eu estive com muita dor. Ouvi coisas que não queria por um tempo maior do que pude suportar e acabou que hoje eu explodi. Estou cansado. Eu sempre penso no melhor para todo mundo e acabo sempre ficando para traz. E quando eu paro para pensar, por conta desse meu jeito de tentar sempre fazer com que os outros estivesse em primeiro lugar eu acabava logo ficando em segundo plano, eu sempre me sabotava para que ficasse em segundo lugar. Será que esse é o melhor jeito de buscar o que eu estive procurando a minha vida toda?

Hoje você não está mais sozinha, encontrou alguém que partilhasse da mesma necessidade que você e suprimiu todo o vazio que eu deixei em seu caminho, enquanto eu... estou lhe vendo pelas costas novamente. Eu me privei de muitas oportunidades que poderiam ter feito toda a diferença em meu caminho só para lhe ver feliz, e inacreditavelmente é exatamente assim que você está hoje. Feliz. E eu não pude calcular isso antes, de que a sua felicidade de agora que foi baseada em minhas atitudes iria me doer mais do que eu poderia imaginar. Me dói saber que você está sem mim. Eu te dei o espaço que você pediu e me dói muito saber que você o ocupou com outra pessoa.

É por isso que venho até aqui hoje. Para lhe agradecer e me despedir. Eu vejo agora que talvez tenha conseguido lhe fazer mais feliz do que em qualquer outro momento em que passamos juntos, eu agora poderei deixar de achar que sei o que é melhor para os outros e fazer com que cada um decida o que é melhor para si, eu agora poderei descansar finalmente da sensação de não ter alguém ao meu lado. Eu agora termino o que um dia comecei. Há tantas coisas que gostaria de gritar, de ouvir, de lamentar, de chorar. Mas somente em minha solidão eu poderei fazê-lo. Agora, meu silêncio será eterno.

Eu não sei se com isso eu consegui realizar o desejo de alguém que eu amo, mas eu finalmente estou tentando realizar um desejo só meu. Eu me levanto e jogo fora cada lembrança sua, cada sentimento que possa ter existido, eu me desfaço de cada presente, cada amarra, cada recado e cada costura que você possa ter feito em meu coração. Eu vou sangrar de novo, vou me mutilar de propósito, vou gritar e vou querer morrer, mas ainda assim, eu vou aguentar tudo o que vier em busca de uma única coisa.

Estarei em busca de uma nova felicidade.


Fernando Vilela Paciencia.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Sonhando em Amar.

Amor como flor, é igual a Cor.
Sonhos,
Liberdade,
Coragem!

Pessoas importantes não se compram.
Mas se vendem aqueles que não sonham.
Insanidade está nos olhos de quem vê,
O que o coração não consegue segurar.

A maior beleza de todas,
Só se é vista,
Nos fragmentos das palavras,
E na delicadeza de um olhar.

O vento pode soprar, mas a montanha não se curvará.
Não consigo colocar as coisas no lugar, porque você ainda está aqui,
Em um lugar de meu corpo,
Que só irá desaparecer no dia em que eu morrer.

Escrito pela alma de uma flor branca,
Pedindo perdão pela volta não realizada.
Sentimentos que se perderam pelo tempo,
Em busca do sonho de um coração maltratado.

Uma flor branca que vermelhece conforme as lágrimas vão caindo.
Cada vez mais a voz me falta, enquanto eu deveria gritar com todas as forças.
Meu grito é silencioso, pois você, onde está, nunca poderá me ouvir.

Grito covarde e mesquinho.
Voz que alivia tua dor,
Enquanto teu peito se derrama em prantos.
Tua saudade passeia nos belos momentos,
Enquanto a ausência daquele olhar perturba teu sono.

Sono aquele que busco repetidamente.
Fico o máximo de tempo que eu puder aproximando-me de ti.
Sei, porém, que nada irá acontecer porque esse é um sentimento solitário.
Alguns chamam esse sentimento de esperança, mas eu diria ilusão.

Ilusão que me faz sentir a maior das mentiras,
Como se meus pés descalços pudessem correr até onde você está,
Sem que este caminho repleto de espinhos,
Pudesse me machucar.

Será essa a verdade do teu imaturo coração?
Será mesmo ilusão?
Pobre e falido,
Meu coração.

O amor vai além de barreiras colocadas pelo destino.
Não segue regras, desconhece o fim.
Caminhaste sobre os espinhos?
Sobre as sombras que te cercam?

Você tens a certeza de que a ilusão tomou conta de algo,
Algo que alegrava teu viver,
Algo que te fazia sonhar,
Em cada momento que se lembras dele.

Sentimentos ficam como imperfeições em uma escultura.
Um pedacinho de nós morre a cada dia mais, mas uma escolha foi feita.
O fogo que antes havia, agora está guardado.
Ninguém parece ter a chave, e a quem eu a ofereço, repulsiva parece ser minha idéia.

Chama.

Essa Chama vai me consumir,
Até o momento em que não aquela pessoa que possui a chave,
Mas aquela pessoa que por vontade própria resolveu roubá-la a usará.
A terra não escolhe onde as sementes serão plantadas.
Mas uma vez que uma pontinha começa a brotar,
A esperança será o que florecerá.


Escrito em 12/01/2011 – 03:45h

Regina Brito dos Santos
Fernando Vilela Paciencia

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Coisas que Escrevo 54 - Dor.

Nunca vou saber ao certo, o real motivo do porque temos que sentir dor.

Eu sinto que essa é uma das piores sensações que podem existir. Você se sente tonto, fica com falta de ar, as vezes não consegue nem falar e tudo o que sai quando consegue fazer alguma coisa, é chorar. Claro que não é uma regrinha onde tudo acontece por ordem, mas geralmente esses são os maiores sintomas de quando estamos com alguma dor.

Sei que existem duas formas de se sentir dor. A dor física e a psicológica.

A dor física costuma ser um pouco mais simples de ser curada. Se você cair e se machucar, se tiver apanhado em uma briga, ter sofrido algum tipo de acidente, sempre haverá algum tipo de remédio ou visita ao médico que lhe aliviará aquela dor, pode até demorar por ser um tratamento mais intenso, mas em algum momento aquela dor vai embora.

Já a dor psicológica não é tão simples assim e eu acredito que as mais difíceis de serem curadas são elas. Dores que não se vê e que tudo o que fazemos é sentir. Sabe? As dores de um coração partido. Não digo isso me referindo a problemas cardíacos nem nada do tipo, digo com relação à sentimentos mesmo. Essas dores não vão embora quando você toma um remédio x ou y. As vezes não tem nem como serem medicadas, porque você está tão imerso em tudo o que lhe machucou, que é como se enquanto sentisse aquilo, ainda estaria de certa forma ligado ao que aconteceu, então a última coisa que você quer, é que aquilo acabe. E sem você perceber, começa a ser consumido por essa dor.
As vezes até temos medo de admitir que aquilo está doendo de verdade. Talvez por medo ou orgulho.
Em alguns casos em que você resolve procurar algum médico para lhe curar essa dor, e ele te consulte algumas coisas, eu lhe perguntarei, "Até quando? Até que pare de tomar o remédio e comece a pensar em tudo de novo. Você realmente acha que isso é uma cura de verdade?".

É algo que não faz muito sentido se formos analisar friamente, como algo que não é "físico" pode machucar tanto? Tem pessoas que ficam dias e dias sem pensar em outra coisa, só em tudo que aconteceu. Sem fome, sem vontade de fazer alguma coisa, ficar em seu quarto, deitado no escuro, pensando, remoendo, imaginando soluções, caminhos, ou até esperando. Esperando por algo que pode nunca mais voltar. Claro que as vezes dependendo do que for, até pode acontecer de algo realmente bater a sua porta e tudo não ter passado de um sonho ruim, mas e se não for?

É... A dor pode acabar com você.

E o que é preciso então para que tudo passe? Existe alguma forma de aplacar essa dor que sabe de lá de onde veio e sabe se lá para onde vai?

Depende muito de cada um.

Algumas pessoas aconselham em casos assim, que o melhor a fazer é chorar, sofrer até o último sentimento e que mais cedo ou mais tarde, as coisas irão se ajeitar, porque uma hora você vai realmente entender o porquê as coisas aconteceram daquela maneira e seu coração começará a se confortar com uma nova situação. Outros dizem que o melhor é se divertir, aproveitar tudo o que você gosta e o que você nunca fez, só para conseguir deixar sua mente ocupada até que ela deixe de pensar e você se acostume com essa nova realidade. E tem até aquelas pessoas que procuram médicos especialistas por não ter conseguido conviver com o que sentem e não confiam mais nas pessoas que estão próximas, portanto precisam conversar com alguém e só assim conseguir "vomitar" tudo o que pensam e sentem.

Talvez essas possíveis "soluções" tenham algum sentido sabe, mas até qual ponto?

Por exemplo se você chora, grita e se lamenta, quebra as coisas, corre, se tranca em seu quarto e tenta fazer tudo aquilo que seu corpo inexplicavelmente clama para fazer, em algum momento tudo vai passar, mas ainda assim você vai estar tão fragilizado pelo que sentiu, que vai ser difícil realmente tomar uma decisão para trazer essa mudança para sua vida, por tudo aquilo que te machucou e por todas as dores que vão ficar em seus pensamentos.

Agora fazer de tudo para se divertir e tentar esquecer pode parecer bom no início, mas sabe, você pode passar o dia todo aproveitando o máximo de tudo, mas e à noite um pouco antes de deitar, quando estiver esgotado e a cabeça parar por um momento e ficar no momento só "seu"... É aí que você vai começar a se lembrar de tudo e o pior, é que você vai estar sozinho em sua cama, sem tem com quem poder conversar e sem conseguir tirar aquilo de dentro de seu coração. Acho que o pior não é tentar esquecer, mas sim não conseguir deixar de lembrar.

Tentar procurar algum especialista pode ser muito interessante, mas são tantas pessoas que não conseguem se abrir com ninguém, que acham que é mais fácil passar por cima de seus sentimentos, que acham que é mais fácil só tentar ignorar a dor ou que acham que isso não é um problema de verdade. Acho que o maior problema é quando resolvemos pensar que sabemos lidar com algo assim sozinhos.

Eu imagino que não sabemos o porquê de estarmos sofrendo e nem o que realmente devemos fazer para conseguir sanar toda essa angústia. Será que fomos tão maus que mereceremos ser punidos de alguma forma e por isso essa dor? Será que foi alguma maldição de alguém que não gosta da gente? Será que depois de toda essa dor, haverá de alguma forma algo incrivelmente bom e por isso devemos sofrer para aprender a valorizar tudo isso? Será que tem mesmo alguma explicação?

Acho que a dor acontece para que possamos LUTAR contra ela. Se você está sofrendo, não se dê por vencido. Lute. Encare tudo o que vier de frente. Seja capaz de se levantar apesar do caminhão que está sobre suas costas ou o que passou por cima de cada parte de seu corpo. Mesmo que pareça que não tem mais volta, de sua cara a tapa e mostre que você é capaz. Lembre-se de fazer de tudo para conseguir lutar mesmo que seja tarde. Mesmo que tudo pareça pedido. Mesmo que tudo tenha acabado. Tente. Só você pode conseguir tudo aquilo que deseja. Só você pode lutar as suas lutas e será o único que sairá como vencedor, e seu prêmio, pode ter certeza que será aquilo que deseja. Ninguém lutará por você isso você pode ter certeza. E mesmo que você tenha feito a maior besteira do mundo e provocado toda essa dor, arrepender-se também é algo que acontece. Faz parte de viver. Não tenha medo de tentar voltar atrás, porque já dizia o velho e conhecido refrão, é errando que se aprende. E pode ter certeza que nada, mas nada mesmo, valerá a pena quando é muito fácil de se obter.

Seja o dono de sua dor e não o contrário.

Acredite, levante e lute para mostrar que você não é alguém que mereça ficar no chão, mas se erguer e mostrar para tudo a sua volta, que pode ter perdido um pedaço do seu coração, mas você tem o poder de se curar e de seguir pelo novo caminho que aprendeu a trilhar.

Eu acredito em você.


Fernando Vilela Paciencia

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Coisas que Escrevo 01 - Paraíso.

É bem complicado quando penso em tudo o que tem acontecido...
Assim, sem mais nem menos,
Uma pessoa lhe chama para conversar e você imagina que não será nada de mais...

Você então conversa por conversar...
Assim, sem mais nem menos,
E sem nenhum aviso prévio, as coisas mudam. E mudam totalmente...

Descobrir esse seu jeitinho meigo, essa vontade que você tem em tudo...
Eu ainda não sei como deve ser estar ao seu lado,
Mas sabe... Eu imagino...

Eu imagino cada segundo. Imagino como deve ser lhe encontrar e sentir o conforto do seu abraço. Imagino como deve ser estar em casa e começar a sentir o cheiro gostoso de seu perfume, antes mesmo de você entrar. Imagino como deve ser incrível olhar dentro dos seus olhos e lhe contar como meu dia está sendo. Imagino como deve ser ter uma vida ao seu lado. Imagino tudo e muito mais.

Sonho a maior parte do tempo...
Assim, sem mais nem menos,
Sonho que posso voar e te levar comigo para onde nenhum problema possa nos encontrar. Posso esquecer que nunca iremos nos ver e pelo menos naquele instante eu posso ter a certeza de ficar ao seu lado, nem que seja por pelo menos um dia...
Um dia. Só um dia, é tudo o que eu queria para saber que você não é algo que eu tenha sonhado. Mas eu estou em um sonho.

Fico todos os dias na expectativa de que você esteja lá, em frente o meu portão...
Assim, sem mais nem menos,
Eu corro até ele e quando vejo que ali você não está, me bate a maior tristeza do mundo...
Por você não estar lá.
Você mudou e muito a forma como eu vejo o mundo e eu queria ao menos por um segundo... por um segundo, ver você.

Talvez você nunca ouça essas minhas palavras, mas é aqui, nesta praia que eu as escrevo, pois sei que você as verá. Assim que for o seu tempo, eu sei que você as lerá e terá a certeza de quem lhe escreveu essas palavras.
Eu espero que possamos estar sempre juntos. Se não como um casal, como eternos enamorados que se gostam e têm vontade de estar sempre um ao lado do outro.
E que vontade.

Eu tenho sonhado mais algumas vezes. Sonho que lhe coloco em meus braços e lhe beijo. A sensação que tenho é que eu saberei nesse exato momento, como é viver no paraíso.

Espero que possa ler este meu recado minha amada Luna, antes que
Assim, sem mais nem menos,
O mar resolva silencia-las por hoje.

Do seu,
Solis.


Fernando Vilela Paciencia

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Coisas que Escrevo 53 - Outono.

Você já se perguntou "como seria sua vida se você pudesse estar em outro lugar que não ao qual você pertence"? Pois é, eu me faço essa pergunta todos os dias, desde quando eu olhei para o lado em que eu encontrei você e até agora eu não consegui encontrar uma resposta.

Eu levava minha vida como todos nós levamos.

Eu nasci numa terça feira qualquer, tive quem cuidasse de mim até que eu mesmo pudesse fazer as coisas sozinho, me alimentava, tomava meus banhos de sol quando de dia, a noite me refrescava com o orvalho que vinha fazer seu ciclo, agradecia quando vinham as chuvas depois de tempos terrivelmente quentes e quando vinham ventos fortes me segurava com os outros para que não perdêssemos nosso lar.

Eu levava minha vida como todos nós levamos.

Talvez por uma mera coincidência do destino, numa mesma terça feira, logo nas primeiras horas do amanhecer, eu estava me secando daquela chuva que veio durante a noite e distraído olhava em direção ao sul, que até então era de onde eu sabia que vinham os mais belos perfumes de tempos em tempos. E assim que os primeiros raios de sol iam adentrando a neblina que havia se formado durante uma noite serena eu percebi em nosso vizinho você ali desabrochar.

Eu levava minha vida como todos nós levamos, mas a partir desse momento tudo mudou.

É uma sensação tão engraçada quando nós tentamos descrever aquilo que não conseguimos entender. Eu me sentia tão cheio, mas não tinha comido nem bebido nada ainda naquela manhã. Eu me sentia flutuando, mas é claro que isso seria impossível porque eu não saberia voar mesmo que me dessem asas. Eu não conseguia me concentrar, porque tudo o que eu queria agora era lhe admirar. Eu não sabia mais o que fazer, sinto que só conseguia respirar.

Você é tão linda que eu não sabia nem como descrever e quando eu tentava lhe mostrar aos outros, ninguém entendia o que eu havia visto de diferente entre uma que era tão igual a qualquer outra. Eu achava um absurdo que ninguém notasse, mas acho que no fundo eu até que me contentava, porque se para tantos você era igual eu não teria o risco de alguém tentar lhe roubar de mim.

Roubar de mim? Como se você fosse minha não é? Engraçado de pensar em como damos o status de posse a algo que nunca será nosso. Você tem sua vida, seu trabalho, seus sonhos e tudo o que eu posso esperar é fazer parte de mesmo que seja de um grão da sua vida.  Mas eu não vou mentir porque era o que eu gostaria. Ter você só pra mim. Poder estar ao seu lado por todos os momentos e te mostrar que você é a flor mais perfumada dentre todas que possam existir no mundo.

Foi ai que eu percebi que isso nunca viria a acontecer.

Dor. Parecia que eu havia caído do topo do pico mais alto e me quebrado em milhões de pedaços. Como eu poderia? Ela é minha vizinha. E não é uma vizinha próxima, deve estar a uns 500 passos de formigas de distância e eu aqui, sem saber andar. Sem conseguir sair do lugar que estou desde que nasci por puro e simples capricho daquele que me criou. Porque ele me fez nascer assim? Porque ele me fez perceber agora que eu não sou completo?

Eu levava minha vida como todos nós levamos, e só agora ele me mostra que eu deveria ter algo a mais daquilo que me deu. Do jeito que ele me criou. Como posso agora tentar chegar até ela se não tenho meios para ir? Ou será que eu deveria suplicar para que chegue a minha hora logo e me tirem desse tormento que é lhe ver e não poder me aproximar de você? Dói muito quando percebemos que não temos meios para chegar aonde mais queríamos ir. Você já se sentiu assim? Eu já, e dói.

Então tudo o que eu pude fazer agora era levar minha vida como todos nós  levamos e pelo menos te admirar o quanto eu pudesse. Estar longe de você era a mesma realidade de antes, mas agora por eu saber que eu nunca chegaria até onde você estava me deixava cada vez mais enlouquecido. Não eram só dias tristes que viriam a passar, mas noites enraivecido e amanheceres melancólicos. Isso é claro sem falar nas tentativas de me mover, que se tornariam tão ineficazes quanto as tentativas dos animais tentarem devorar as taturanas.

Por quanto tempo eu iria ficar assim, talvez você me pergunte? Tudo mudou em uma terça feira.

Eu até certo ponto já tinha me conformado com a situação a qual eu deveria viver, e por conta das coisas em minha mente, eu comecei a não fazer as coisas básicas de meu dia a dia e nossa casa que era como um organismo vivo, que cada um dependia de seu outro para funcionar começou a perceber que algo ali não estava certo. Foi quando meu quadrigentésimo primo que fica logo ali atrás me perguntou  o que estava acontecendo para eu não fazer os meus trabalhos diários. Levei quase um dia inteiros para relatar todos os acontecimentos que descrevi até agora, afinal foi a primeira história que eu tinha para contar além de explicar detalhadamente como funcionam meus dias para os que vinham se alimentar. Ele ouviu detalhadamente cada trecho de minha história mas como não fazia nenhum sinal de que estava realmente ouvindo, me levava a diversas interrupções em meu relato em que lhe dirigia a frase "você está me ouvindo?" e em resposta um simples "prontamente" vinha de sua direção. Quando terminei de lhe contar, sua resposta me fez decidir sobre como eu terminaria meus dias.

"Primo, eu já ouvi de Nina Andorinha, uma história bem parecida com a qual você me diz que está a passar. Bem, não me parece algo comum algum de nós querer ir se encontrar com uma vizinha mas de acordo com a história de Nina Andorinha um de nossos tataravós já passou por essa mesma lamúria e a única solução que encontrou para seu lamento foi deixar de viver. Pode lhe parecer triste, mas ela me contou, que quando ele começou a deixar de viver, sofreu os pesares da fome, sede, começou a ter seu corpo enrijecido e por mais que tentassem argumentar com ele, ele só clamava que queria ir embora. Não demorou muito e nossa família teve que decidir se perderia tudo o que tinha ou se o jogava de encontro ao Campo, e você bem sabe que damos Adeus para os que vão para lá por ser para um lugar que nunca ninguém vai voltar. Ele foi descartado e jogado de encontro ao Campo por estar a prejudicar a todos nós, mas foi aí que aconteceu. Ele voou primo. Não foi belo como vemos o bater de asas dos pássaros, e Deus sabe que nunca seria tão graciosos como Nina Andorinha, mas ele vou. Foi carregado em direção daquela que ele sempre disse ser sua única, por algo mais forte que tudo o que conhecemos. E o perderam de vista quando ele chegou na vizinhança de sua amada. Por alguma razão que ninguém arriscara dizer, naquele momento ficou claro que ele não nascera pra ficar, mas sim para se mudar."

Eu já havia tomado minha decisão quando meu primo havia terminado de falar e ali parei.

Você já morreu alguma vez?

Acho que é por isso que esse foi a única vez da que se teve notícia de alguém fazer algo assim. Claro que todos acabam morrendo um dia, e quando esse momento chega, todos vão para o Campo, mas adiantar isso por vontade própria, fazer suicídio só por saber que ali não é seu lugar é algo doentio não é? Será? Eu não sou completo. Eu não estou feliz. Eu não sou isso. Que felicidade eu poderia ter dali para frente, uma vez que eu sabia que não pertencia mais àquele lugar. Arriscar tudo por algo que eu nem saberia se era verdade me motivou mais do que a vontade de levar meus dias sabendo que seria infeliz até o momento de ir para o Campo. Eu desisti de viver.

É indescritível o quanto machuca. A sede, a fome, a dor, nem se comparam com o instinto de deixar de lado essa maluquice e se agarrar a nem que seja uma gota de orvalho e tentar mesmo que inutilmente saciar um pouco de nossas necessidade. Eu tinha vontade de gritar a cada segundo, eu chorava em cada instante, eu lutava contra meus instintos mais básicos e tudo para que? Por alguém que nem sabia de minha existência! Alguém que nem me notaria! E depois disso? Eu milagrosamente ia sair voando até ela e depois? Eu estava me matando! Deixaria minha família me jogar fora para não acabar com tudo o que temos, sendo que eu nem mesmo sabia se meu amor era real! Amor? Isso existe mesmo? Não! Tenho que parar com esse absurdo! Eu preciso viver! Eu não aguento minha fome! Por favor me tirem desde inverno!

Em meio ao meu desespero, logo nas primeiras horas do amanhecer eu senti então seu perfume. Eu não vou desistir.

Eu conseguia sentir meu corpo se enrijecendo e ficando de cor amarelada. A dor já era tamanhã que eu não tinha forças mais para aguentar e só desisti de ir contra. Não tinha mais motivos para gritar ou me lamentar, porque eu sabia que a partir daquele momento eu já não teria mais como voltar e tudo o que pude fazer foi observar.

Vi todos que me viram nascer pararem por um instante para decidir se realmente era algo que não teria volta. Como eu já não conseguia mais falar eu me despedi sem fazer um único som ou movimento e logo em seguida eu fui cortado. Minha visão ficou cada vez mais turva e era difícil distinguir o que estava acontecendo, mas eu sabia que estavam me levando. Me levando para a ponta. Me levaram em direção ao Campo. Eu já nem me lembrava do porque estava fazendo tudo aquilo. Não tinha mais forças para esboçar nenhum movimento. Meu corpo seco e de cor amarelada se quebrava durante o caminho. Eu só queria que terminasse, e que terminasse logo.

Quando chegamos à ponta e finalmente me jogaram eu então senti. Acabou.

Nos momentos em que fui caindo, eu conseguia ver lá de baixo minha casa. Minha família cada vez mais distante agora, me fazia lembrar de tudo o que eu já havia passado. Claro! Voar! É agora! O Momento pelo qual eu estava esperando e me sacrifiquei para tentar encontrar. Mas como eu vou voar? O que devo fazer? Tento e tento me movimentar ou fazer alguma coisa que só agora em que sinto o vento passar por mim poderia fazer sentido, mas nada acontece! Nada! Eu estou cada vez mais perto do Campo e nada acontece. Eu não nasci pra voar? Arrisquei tudo por algo que não era para mim! O que eu devo fazer? Não agora! Não assim! Eu nem mesmo pude lhe ver uma última vez. Acabou. E porque mesmo tudo acabou? Ah, é mesmo. Eu olhei para o sul e pude ver nossa vizinha agora. No meio do fim eu lhe vi uma ultima vez e você assim como na primeira vez, continuava linda. Mas agora acabou, não tenho mais para onde ir e estou muito cansado. Vou dormir até acabar. Fechei meus olhos. E tudo o que consegui fazer foi esperar. Não sei exatamente pelo que, mas eu esperei que nunca mais pudesse abrir meus olhos. Esperei que como o sol desaparece no horizonte eu também deixaria de existir. Mas não é bem isso que acontece não é? O Sol não desaparece, ele só se muda.

Foi quando mudei.

Algum ímpeto me fez abrir os olhos e eu pude ver que ao invés de estar mais próximo do Campo, eu estava subindo! Eu estava me elevando aos céus como um pássaro desengonçado, mas o mais importante era que eu estava voando! Como? Eu não conseguia entender e me perguntava a todo instante do por que? Eu já tinha desistido, cansado, quebrado, sofrido e ainda sim não estava terminado! Eu estava a voar! Mas como?

A compreensão me bateu como um raio e eu finalmente entendi. Não era eu que estava voando, mas sim o vento que estava me levando. Por mais que eu estivesse tentando me direcionar para algum lugar, eu não tinha controle nenhum do para onde eu estava indo, e era essa a explicação a qual cheguei. Talvez por pura coincidência, mas uma corrente de ar passou quando eu estava a cair e acabou de me levar com ela para onde ela iria. Com nosso tataravô deve ter acontecido a mesma coisa, e como os outros não tinham ideia do que estava acontecendo, devem ter imaginado que um milagre poderia ter acontecido. Mas é só um vento me levando. Mas espera? Está me levando para onde? Meu tataravô conseguiu ir pelo menos de encontro a sua amada não foi? Eu também posso conseguir! Se esses ventos me levarem há 500 passos de formigas em direção ao Sul!?

Eu nunca fiquei tão ansioso em conseguir algo como fiquei naquele instante. Eu podia ver que a cada segundo eu começava a me aproximar mais e mais de minha vizinha. Eu estava tão alto agora que conseguia ver a distância exata de onde eu estava e meu objetivo. Eu não controlava meu caminho, mas ele me levava exatamente onde meu coração desejava. Eu tentava fazer cálculos de cabeça, 450, 400, 300 passos de formiga. Será isso mesmo? Eu estou chegando! Eu estou tão perto agora que eu consigo lhe sentir por perto! Foi quando aconteceu.

Senti um pingo de chuva. Vi um trovão cruzar os céus. Ouvi o rugido de sua chegada. E assim como subi rapidamente pelo vento abaixo de mim, senti o peso das gotas da chuva me levarem para o chão. A queda foi muito mais rápida agora, somando meu peso  mais as gotas de chuva sobre mim me levou a uma queda direta e reta. Estou nos Campos. Acabou. Consigo sentir as fortes gotas de chuva em meu corpo agora sozinho. Estou tão longe de casa, mas tão perto da vizinha. Se eu fosse contar, seriam acredito que 75 pequenos passos até eu estar lá. Mas ela ainda é tão alta. Eu não conseguiria chegar onde minha amada está vindo de onde estou. Acabou. Eu tive alguns segundos de esperança, para terminar aqui, no Campo. Pelo menos com a chuva eu consigo saciar um pouco de minha sede. E estranhamente o lugar a qual estou deitado faz com que eu tenha vontade de me alimentar. Será que é isso que mata aqueles que vão para o Campo? Será que tem algo nocivo a minha vida se eu me alimentar disso? Que diferença faria agora? Chega. Eu cansei de tentar. Apostei todas as minhas forças em uma loucura e estou aqui. Sozinho.

Apesar de estar tão perto, eu estava tão longe agora. Olhava para minha casa ainda mais longe e memórias de minha singela vida me vinham na memória. Eu levava minha vida como todos nós deveríamos ter levado e agora eu estava ali. Sozinho. Eu desisti de acreditar e me entreguei ao destino que me forcei. Tudo o que eu queria era estar do seu lado e sentir pela última vez seu perfume, mas tudo o que eu sinto são gotas de chuva que caem em mim, como lágrimas tristes num dia nublado. Sinto a lama me puxar para o fim e eu não tenho força e nem vontade de resistir. Como é horrível a sensação de desistir depois de tanto lutar. Mas o que eu poderia fazer? Eu perdi você e nem ao menos consegui te ver uma última vez, e agora eu só quero deixar de existir enquanto eu sinto seu perfume. Como ele é gostoso. Eu queria dizer à você o quanto seu perfume é perfeito. Perfume. Mas o que?

É você!? Você está nos Campos comigo!? Como!? Por que!? Mas desse jeito seus dias!? Sua vida, sua família, tudo em você vai terminar aqui comigo!? Por que!? Você nem sabe quem eu sou!?

"Tudo o que sei, é que eu daria minha vida para viver ao seu lado. E se você não estiver comigo eu nunca poderei viver feliz. Não foi só você que me observou. Eu estive te vendo durante todo esse tempo, e apesar de também viver fadada a não poder me mover e só a levar meu perfume a você. Agora que você chegou tão perto, eu não iria lhe deixar sem dizer que eu vim para estar com você. Se não foi enquanto estávamos em nossa casa, nos galhos que nos deixavam viver, será nesses últimos instantes enquanto partilhamos esse lindo campo que um dia será todo florido por nosso amor. Eu sempre lhe amei minha pequena folha e por você eu viverei para sempre do seu lado, mesmo que meu sempre sejam só mais alguns momentos."

"Eu sempre vou lhe amar minha flor e lhe prometo que não lhe deixarei por mais nenhum dia. De algum modo agora que tenho você, eu não vou desistir de crescer e te dar o melhor lugar do mundo."    
No meu último instante você largou tudo para morrer ao meu lado. O engraçado é que as coisas não foram exatamente assim. A chuva nos deu o que beber e viria a nos hidratar de tempos em tempos, os Campos nos deram alimentos que precisávamos para sobreviver. Nosso amor nos fortaleceu para que conseguíssemos seguir a um passo adiante. Tivemos o suficiente para fazer brotar uma pequena raiz. Dessa raiz um pequeno broto. Do broto uma muda e só continuamos a crescer.

Hoje nossa pequena casa se juntou a sua árvore, minha vizinha e nos entrelaçamos. Daqui de cima eu posso ver minha antiga casa, minha família e com você ao meu lado, eu sei que posso transmitir que eu consegui, que eu estou bem e que estou muito feliz. Afinal o seu perfume e de todas nossas filhas, sempre ao amanhecer, faz com que seu perfume vá em direção ao Norte. Foi numa terça feira que eu voltei a levar a vida que todos nós levaríamos. Até o fim de nossos dias.


Fernando Vilela Paciencia.



sábado, 28 de maio de 2016

Coisas que Escrevo 52 - O que seria Saudade?


O que significa afinal este sentimento, que muitos sentem ou pelo menos dizem sentir?

Saudade na minha opinião é um termo muito complicado de se conversar, porque há diversas formas de se sentir saudade. As vezes temos saudade de alguém, de algo, de uma situação, de um tempo que passou, etc.

Acredito que quando se sente saudade de alguém, não necessariamente você gostaria de estar com aquela pessoa em questão, as vezes você passou tanto tempo em convivência com ela que sente esse baque quando a pessoa não está mais lá. Parece mais como uma mudança de rotina, onde que você fez tanto a mesma coisa por tanto tempo que quando as coisas mudam ou acabam, você em seu interior sente que está faltando algo, por mais doloroso que aquilo poderia ser, ainda sim parece que algo está faltando. Nossos corações se baseiam em rotina mais do que gostaríamos e talvez seja por isso que é tão difícil deixar as coisas ruins acabarem, por esse tipo de saudade dessa rotina.

Com falamos de saudade sobre uma situação, imagino eu que as vezes fazemos algo tão inacreditavelmente bom e gostoso, que chegamos a parar e as vezes, só as vezes, nos perdemos em pensamentos tentando relembrar como foi, como tudo aconteceu, e nesse fechar de olhos gostaríamos de vivenciar novamente cada segundo daquilo que passamos. Mas sabe, eu ainda sim acredito que existem coisas que por mais boas que fossem, só precisamos ter vivenciado ou passado por aquilo uma vez, para termos um parâmetro sobre a relevância que aquilo teve em nossas vidas. Claro que não estou dizendo para cada um de nós fazer uma merda na nossa vida para sabermos se é bom ou ruim, mas acho que as experiências são válidas para refletirmos se apesar de cada coisa que foi boa NAQUELA época, ela agora seria tão boa quanto. Um exemplo meio bobo, mas que pode mostrar um pouco do que estou dizendo seria se eu dissesse o quanto já "virei várias noites acordado para não fazer nada". Era algo que eu gostava e bate uma nostalgia quando penso nas séries que eu via, nas conversas que tinha com outras pessoas que corujavam também ou só ficava escrevendo algo, mas hoje não é algo que eu apesar de sentir saudade, vá ou queira fazer de novo.  

Mas não vou descrever o que penso sobre cada tipo de saudade, se não vou viver digitando por anos sem nunca acabar de me expressar.

Saudade.

Sim, sinto saudade de muitas coisas, de muitas pessoas, de muitas lembranças. As vezes gostaria que muitas coisas tivessem sido diferentes.

Se me arrependo de alguma dessas coisas?

Eu imaginava que não deveria me arrepender das minhas decisões por mais erradas que elas pudessem ter sido e isso sempre me ajudava a ser o que sou. Acabamos aprendendo com nossos erros e além das vivências de experiências boas e ruins, acabamos amadurecendo quando mais a frente algo que já passamos volta a acontecer. Então não seria um arrependimento, mas ter vontade de voltar para agir de uma maneira mais correta com relação a algo que aconteceu, e como não podemos fazer isso, acabamos levando para se acontecer de novo eu vou fazer melhor. Ser melhor. Cuidar melhor.

Algumas vezes eu paro e me pergunto se "de algumas coisas eu realmente sinto só uma saudade ou está mais para uma vontade de ter o que não tenho mais?"

Tive alguns amigos que não aparecem mais devido a falta de convivência, e eu sim poderia ligar mais para eles. Tinha coisas que eu gostava de fazer e não faço mais, onde eu poderia tentar arranjar mais tempo e voltar a fazê-las.

Parentes que se foram ou amigos que não estão mais em vida. Bem... esses não tenho como buscar. O será que tem? Me disseram uma vez que quando alguém parte, ela sempre vai estar entre as estrelas olhando por nós em cada momento de nossa vida, e isso me reconforta nos momentos de mais saudade.

É tão complicado quando dizemos saudade de algo, definir um sentimento que nem mesmo sabemos o quanto ele pode estar profundo em nosso coração pode ser bem difícil e ainda mais quando não estamos bem com outros aspectos de nossa vida e acabamos confundindo a vontade com realidade. Temos que ter cuidado antes de dizer algo assim em voz alta para que não acabe de tentar nos convencer de algo que não está mais ali, afinal como eu disse antes, somos pessoas de costumes rotineiros.

E está virando uma rotina dizer que sentimos saudades.

Eu não posso dizer o quanto a saudade é algo bom ou ruim. Não posso dizer sobre os sentimentos de ninguém com relação ao que vivem.

Eu só posso falar sobre o que eu sinto, o que eu vejo e o que eu penso.

Pra mim, se existe saudade é porque vivemos, passamos, aprendemos e construiremos pelos aprendizados que levamos de tudo isso. Eu aprendi, mas vou fazer valer a experiência para não errar mais. E se eu errar com os mesmos erros, vou tentar de novo e de novo e de novo, até eu estar pronto a superar esses erros que me levaram até onde estou.


Fernando Vilela Paciencia


sexta-feira, 20 de maio de 2016

Coisas que Escrevo 35 - Despedida.

Hoje seria um dia comum onde nada de mais aconteceria, mas não foi isso que minha vida tinha reservado para mim. Há alguns dias estava eu em meu repouso, quando uma luz brilhou perante meus olhos e de lá uma mão me foi estendida. Eu então a agarrei com força e foi nesse momento que reconheci esse lindo anjo que veio me ver.

Comecei então a sonhar com vários momentos de minha vida. Quando pequena me lembro de aprontar minhas traquinagens sempre sorridente e arteira. Me lembro de quando trabalhava para ajudar meus pais em minha singela casa. E ainda de como era difícil viver com o tão pouco que tínhamos.

Com o passar dos anos fui crescendo e me tornando uma adulta responsável, e por mais que eu não esperasse comecei a trilhar o meu próprio caminho.

Coisas boas e coisas ruins vieram a acontecer.
Pessoas saíram de minha vida, encontrei outras que me foram queridas e ficaram comigo durante muito tempo.

Sem que eu me desse conta, conheci a pessoa mais significativa de minha vida e que até então, mal sabia eu que iria ficar comigo pela minha inteira vida. Comecei assim a ter novas expectativas e novos sonhos, onde dei um passo de cada vez fazendo tudo de acordo com o caminho que meus pés me levavam. Me mudei, me ausentei, me enamorei e até enfim me casei.

Tive uma vida tranquila. Não que tenha sido totalmente plena e feliz, mas qual vida que não tem seus altos e baixos não é mesmo? Mas pode ter certeza que se alguém me perguntasse hoje se eu tive medo ou receio de algo, a resposta seria “medo eu tive, mas temos que enfrentar aquilo que está em nosso caminho.”.

Algum tempo depois nasceriam meus filhos, e vocês acreditem ou não, eu estava pela primeira vez em minha vida tomando o lugar de minha mãe. Estava eu sendo dura e ranzinza com eles e foi aí que eu percebi que as coisas que ela fazia e eu imaginava que era por que ela não me amava, agora eu sabia que ela fazia por se preocupar com cada passo que sua filha iria dar. Eu deveria ter ouvido mais a minha mãe quando ela me dava broncas, conselhos e até mesmo seus sermões. Engraçado de ver que agora minha mãe não era só mãe, minha mãe era agora uma avó e como todas as vovós  paparicava meus filhos, assim como me lembro de minha vó. Acho que vamos trocando de lugar com o tempo.

Meus filhos estavam cada vez maiores e tomando os rumos de suas vidas. Teve vezes em que eu queria que fizessem algo diferente, mas eu sempre amei a todos, cada um a sua maneira. Compreendi que o amor que uma mãe sente por seus filhos não pode ser medido ou comparado. Eu amo a todos do mesmo modo e ao mesmo tempo, e eu daria minha vida se fosse possível para que todos estivessem bem e sem favorecer a ninguém.

Os anos foram passando depressa e a idade já começava a me trazer lembranças de sua visita. Como todo mundo, comecei a ter mais experiências mas meu corpo não acompanhava mais todas as minhas vontades e as coisas que antes eu faria em um piscar de olhos, agora demorariam mais para eu conseguir terminar. Minhas dores já não eram pequenas,e a cada dia mais alguma coisinha me incomodava em algum lugar diferente. Apesar de todos estes contratempos, posso dizer que meus filhos, homens agora, estavam crescidos e cada um com sua vida já formada.

Não teria eu com o que me preocupar, pois meu trabalho eu imaginava que estava feito.

Foi então que percebi que muita coisa ainda havia de acontecer. Comecei a ter novos pequenos para cuidar, para limpar, dar de comer ou brincar. Era tão maravilhoso olhar aqueles pequeninos rostinhos sorridentes, sem nada a entender da vida, mas que um dia saberiam de coisas que eu nem poderia sonhar que viria a existir, mas que para eles seriam coisas comuns como aquela tal de tecnologia.

Me perguntaram uma vez do por que então eu estar cuidando deles, já que seus pais poderiam pagar alguém mais jovem e mais disposta para ficar de olho nesses pequenininhos. E eu só tenho uma coisa a dizer sobre isso, que eu deveria sim para mostrar a eles que a vida pode ser muito mais interessante quando você tem o amor de sua vó, e esse amor em meu coração não faltaria.

Sinto muita falta de meus netos.

Eu quando nasci achava que nunca iria crescer. Quando cresci achei que minha mãe nunca tinha sido criança. Quando virei mãe me dei conta que deveria ter dado mais atenção aos conselhos que recebera antes. E agora que sou avó sei que meus netos irão passar por todas essas mesmas fases, e se irão passar, por que não dar aquilo que eles mais vão precisar em suas vidas? Amor.

Hoje um anjo veio me buscar.

E hoje, meus queridos filhos, parentes, amigos e meus pequeninos netos estão sentindo no fundo de seu coração a perda de alguém querido. Eu sei como é isso. Ao longo de minha vida também perdi pessoas queridas que foram buscadas por seus anjos e se hoje eu pudesse lhes dizer apenas uma coisa eu diria:

"Chorem não por tristeza, mas pela felicidade de que meu amor sempre estará em seus corações."

Não considero isso como uma partida, afinal todos temos o nosso tempo para ir embora. Alguns se vão por estarem tempo de mais aqui, outros por estarem enfermos, e ainda há aqueles que nos são tirados por outras pessoas, como pude vivenciar quando meu filho nos deixou por estar no lugar errado.

Ainda sim estou muito feliz. Poderei matar a saudade deste anjo que já não vejo a 20 anos. Meu querido anjo que me foi tirado muito cedo de meus braços. Sinto seu enorme sorriso e sei que onde eu estiver, estarei cuidando de meus pequeninos e que nunca deixarei seus corações.

Bom, chegou a hora de partir.

Vamos meu querido filho José?


Post dedicado a minha Avó, quando veio a nos deixar em 21/06/2012.

Fernando Vilela Paciencia

sábado, 23 de abril de 2016

Coisas que Escrevo 30 - Casualidade.

O que irei hoje lhes contar é uma pequena história.

Sempre fui uma pessoa muito cética com relação a sentimentos. Nunca acreditei que existisse realmente uma pessoa que seria o nosso complemento ou até mesmo, o que dizem ser nossa “alma gêmea”. Para mim isso não passava de um sonho frustrado de alguém que nunca foi feliz sozinho.

Nesse meio tempo, eu tive uma vida bem simples.

Morei com meus pais, trabalhei, estudei, tive meus amigos e sempre me considerei uma pessoa muito feliz. Tive alguns relacionamentos mas nunca me passou pela cabeça que o sentimento de amar existisse.

Meus relacionamentos nunca duravam por muito tempo, e sempre me diziam que o motivo para tanto se dava a minha frieza para com a pessoa que estava comigo. Eu nunca me achei realmente uma pessoa fria, principalmente pelo fato de que nunca menti com relação ao que eu sentia, e nos casos em que alguém me dizia “eu te amo” eu nunca retribuí, afinal eu não fazia ideia do que seria esse amor de que tanto falavam.

Relacionamentos passageiros era o que acontecia em minha vida, mas nunca me importei com isso. Essa era a minha rotina. As pessoas que eu conhecia, quando namorava sempre se diziam apaixonados e eu sempre me perguntei o que diabos isso quer dizer afinal?

Alguns tentavam me explicar como era esse sentimento. Ouvi muito coisas como, "você se sente nas nuvens", "você sente sente falta de estar a todo momento junto da pessoa", "não vê mais sua vida sem a pessoa ao seu lado". E sinceramente, isso realmente nunca aconteceu comigo e eu sempre achava muito engraçado ouvir esses relatos até então absurdos até mesmo para minha imaginação.

Até aquele dia.

Um dia eu estava usando minha rede social, quando uma pessoa que eu não conhecia pediu para ser adicionada a minha lista de contatos. Tínhamos amigos em comum então de cara, imaginei que fosse alguém conhecida que eu só não me lembrava de momento. Logo, eu a adicionei e mandei uma mensagem perguntando de onde nos conhecíamos e já adiantando um pedido de desculpas, pois não me recordara dela. Alguns dias depois ela respondeu que não nos conhecíamos, mas que poderíamos então, começar a nos conhecer.

Começamos então a nos conhecer, afinal uma boa conversa é sempre bem vinda. As mensagens não eram respondidas sempre na mesma hora, as vezes ficávamos até uma semana sem trocar mensagens. Contei sobre onde eu morava, minha idade, o que eu fazia de minha vida, entre outras coisas para que ela assim pudesse me conhecer melhor, e de contra parte a questionei sobre as mesmas coisas. Tão logo fiquei sabendo que aquela moça estava em outro país.

Sim, fiquei surpreso. Mas em nossa realidade de hoje, é muito fácil conhecer pessoas que estão do outro lado do mundo com apenas alguns cliques e uma conversa jogada fora.

Pedi a ela que me passasse o seu endereço de mensagens instantâneas e começamos a ter mais contato. Por conta do fuso horário de nossos respectivos países, o único momento que tínhamos para conversarmos instantaneamente era na minha madrugada, correspondente à noite dela. Ficávamos durante horas conversando, sobre tantas outras milhares de coisas, que fizemos, que não fizemos, coisas que poderiam ou não acontecer, e algumas vezes sobre o que esperar de um futuro próximo.

A conversa com essa moça era diferente. Não sei ao certo o por que, mas tudo fluía naturalmente. Não sei explicar o porque eu contei tanto sobre minha vida, meus segredos, minhas vontades e meus sonhos, mas posso dizer que assim como eu, ela também se abriu para comigo de uma maneira que eu não soubera descrever ainda.

Durante o dia, eu ficava pensando em coisas que eu pudesse lhe contar assim que nosso momento chegasse para conversarmos. Passávamos  noites em claro conversando agora. E com a interação que a nossa tecnologia nos permite, podíamos até nos ver sempre que queríamos. Era como se ela estivesse ali, sem nem mesmo estar.

Então aos poucos, conversar com ela foi se tornando a parte mais esperada do meu dia. As vezes, não importava quanto o dia havia sido difícil, apenas ver o sorriso dela era o que bastava para fazer qualquer dor ou preocupação desaparecer.

Mas por que?

Meus amigos notaram uma pequena diferença em meu comportamento. Diziam eles que eu estava sempre mais feliz, mais motivado e até com mais histórias. Para mim, eu sempre fui a mesma pessoa e não estava agindo diferente em nenhum momento. Eles me perguntavam o que havia acontecido comigo e eu nada respondia, afinal a minha vida não havia mudado em nada. Será?

Teve uma noite em que meu primo dormiu em casa e viu o que havia acontecido. Eu havia conhecido uma pessoa. Mas o que aquilo tinha a ver com alguma mudança que eu pudesse ter? Nada que ele dissesse me fazia acreditar que eu estava diferente. Eu estava agindo do mesmo modo. Será?

Logo, todas as pessoas a minha volta ficaram sabendo dessa minha amiga, e sempre que podiam me perguntavam dela. Por alguma razão ela começou a ser o centro de todas as minhas conversas. De alguma forma eu conseguia encaixar algo sobre ela ou sobre nós em qualquer assunto que eu tivesse com qualquer pessoa. Será?

Só depois de tudo isso, eu comecei a perceber que eu realmente havia mudado. Quando fui perguntar o que afinal de contas era isso que vinha acontecendo comigo, todos me disseram a mesma coisa.

Você está apaixonado.

Eu ri. Era muito óbvio que  não era isso. Será?

Conforme os dias iam passando, percebi que sempre que não falava com ela eu ficava menos feliz. Era como se em meu dia não houvesse um lindo sol radiante, mas sim um tom acinzentado e nublado.

Em meio a tantas descobertas sobre como eu estava me sentindo, ela então me disse que iria deixar de usar tanto o computador, estava precisando trabalhar mais e teria um outro emprego, logo não nos falaríamos com tanta frequência.

Claro que para mim, seria aquela a coisa mais normal do mundo, afinal se era algo da qual ela precisava isso era o mais acertado a fazer. Mas as coisas não foram tão bem como eu imaginei.

Eu continuei a esperar por ela durante todos os dias. A cada som que meu computador fazia indicando que havia entrado alguém, eu ansioso olhava para ver se seria ela, mas nunca era. Os meus dias não paravam de ficar nublados e um sentimento de vazio me percorria.

Semanas passaram e aparentemente retrocedemos em nossas formas de comunicação. A mensagem instantânea deu lugar para a rede social novamente. Deixávamos uma mensagem para o outro e esperávamos por um tempo livre para poder responder. Foi então que a partir daí, nos afastamos gradativamente.

Nunca pensei que algo assim pudesse ser tão ruim, tão dolorido. Eu nunca até então havia passado por algo assim. Ela era uma pessoa que eu nunca conhecera pessoalmente, então  como ela poderia ter roubado tanto a minha atenção? Tudo o que eu sabia sobre ela, foram coisas que ela mesmo havia me contado, mas e se tudo fosse mentira? Como alguém poderia ter deixado uma semente tão profunda em meu coração? O que estava havendo comigo? Eu perdi as contas de quantas vezes eu me imaginei comprando uma passagem e indo até o seu encontro, para que mesmo por alguns segundos estar ao seu lado. Como era possível me sentir assim por alguém que poderia ser só um amontoado de palavras?

Aproveitei este “afastamento” que tivemos para pensar. Colocar minha vida no lugar. E depois de algum tempo eu resolvi mandar uma mensagem a ela, com tudo o que havia pensado, tudo o que havia sentido, tudo o que havia esperado.

“Sinto sua falta durante todos meus dias. Não sei exatamente o que você pensa quando eu lhe digo tais palavras. Mas eu não precisaria lhe dizer nada se não fosse verdade. Eu poderia sumir sem deixar mais vestígios e apenas esquecer o sonho que você me foi. Mas eu não consigo deixar meu coração de lado, pois ele me lembra a todo o momento de você. Sinto saudade de seu sorriso, de saber que você está acordada comigo, de ver as coisas que você trás para comer eu beber na frente do computador, do modo que você mistura nossos idiomas enquanto fala comigo. Apenas... Não sei... Sinto muita falta de você... Não posso dizer que é uma paixão o que sinto por você. Pois nenhuma paixão resistiria a tudo isso que nos afeta... E tão pouco me atreverei a dizer que eu lhe amo. Se eu disser, será apenas mais uma palavra ao vento. Uma palavra que vem e nos refresca, e vai embora quando menos se espera. Perdi toda a base sobre meus pés e não deixo de pensar que logo mais você vai sair de minha vida. E eu não quero que isso venha a acontecer. Fique comigo.”

Assim que lhe enviei a mensagem fui surpreendido com uma resposta dela de imediato. Como se estivesse a me observar enquanto eu escrevera e assim veio a sua resposta.

“Meu Amor. Você quer me fazer chorar? Ah, é uma pena que não estamos tão perto. Mas não vamos desaparecer, um da vida do outro não! Eu estou sempre aqui! Você é muito especial para mim. É tudo muito estranho, nós nos falávamos apenas quando eu ficava no computador e então eu fiquei sem internet em casa e tudo mudou. Mas isso não quer dizer que eu me esqueci de você. Não me esqueço, da nossa ultima foto, quando você me ensinou a tirar pelo computador. A foto ficou tão lindinha, sou eu e você! Tenho saudades sim. Você é tudo! Mas o que vamos fazer? Tão longe. Eu, toda enrolada. Hahaha. Mas, você tem tudo para ser muito feliz. Você merece uma menina que seja livre. Apenas para você. Nós somos um caso especial. Mas sempre me preocupei demais pelo seu lado. Sempre te disse isso. Não quero que Você sofra, meu amor! Amor, o que mais eu posso te dizer? Sem palavras. Desde o momento que você me mandou a mensagem, eu estou aqui, escrevo e apago. Ai meu Deus! Me preocupo sim.”

Meu coração ficou em silêncio por alguns momentos e só conseguiu dizer.

“Lágrimas caem de meu rosto, ao imaginar que você deseja que eu encontre alguma outra pessoa que seja livre. Não desejo ninguém que não seja você, mas agora vejo que não partilhamos da mesma intenção. Obrigado por se preocupar comigo assim deste modo tão especial, mas não é o que eu queria para mim. Eu entendo nossa situação e não posso lhe pedir nada. Eu não tenho esse direito. Não sou ninguém. Pelo menos agora será mais fácil uma vez que entendi o que me disse nessas palavras que mais vieram como lâminas a perfurar meu coração. Eu não vou mais ficar sonhando com o momento em que você voltasse para cá ou ficar calculando quanto eu deveria poupar para poder ir até você. Obrigado pela preocupação. Espero que as coisas aconteçam para você e obrigado por tudo, por cada momento, cada sorriso, cada pensamento e por cada suspiro que eu consegui dar só por viver em meu sonho.”

Agora o tempo não fazia mais diferença e eu não saberia dizer ao certo se demorou ou se foi logo de imediato, mas o que pareceu uma eternidade teve seu desfecho em sua resposta.

“Beijos, beijos, beijos! Quem sabe um dia, nós nos encontramos por ai..?! E vamos misturar nossos idiomas, fazer o que gostamos juntos, nos beijamos e rirmos muito de toda essa situação. Eu gostaria muito se isso um dia viesse a acontecer. Vamos deixar por conta do tempo o nosso destino. Sinto sim saudades de você. Amava ver você sorrindo e eu sempre tive vontade de ter você pra mim. Amor, quero que você seja muito feliz e por favor, não quero perder o contato com você. Me ajude! Se eu der uma sumida, NÃO quer dizer que eu te esqueci não, ok?.. Mas me chame de vez em quando! Beijos, lindo!"

Hoje, eu não tenho quase nenhum contato com ela. Claro que o tempo sempre será o melhor remédio para a nossa vida e tudo aquilo que não sabemos dizer se vai ou não acontecer. Tudo gira em torno dele. Mas eu realmente acredito que o tempo só nos ajuda, se nós tivermos certeza do que queremos.

Eu demorei muito para decidir o que eu queria e o que eu sentia mas isso não foi suficiente, pois não dependia apenas de minha resposta. A partir desta última conversa que tivemos eu percebi que eu havia chegado a uma conclusão sobre o que eu queria. Eu havia demorado anos para descobrir o que realmente é gostar de uma pessoa. Entendi o que as pessoas a minha volta diziam sentir quando estavam com seus companheiros e é realmente algo incontrolável que não escolhe hora nem lugar. Isso me fez sentir como nunca antes e deixou todos os meus dias incrivelmente melhores e a vontade de sorrir estava estampada para todos a minha volta.

Não me arrependo de ter sentido tudo isso. Eu não sei e talvez nunca saiba se ela era a pessoa para mim naquele ou em qualquer outro momento, a pessoa “certa” como dizem por aí. Mas o que eu posso realmente afirmar, é que naquele momento, ela não desejou que fosse. Eu percebi com suas respostas, que ela estava levando as coisas com outros sentimentos, talvez sim houvesse algo da parte dela, mas eu não consegui ver eu como a pessoa que ela realmente lutaria para ter ou estar. Se acontecesse de eu resolver por minhas decisões ir até lá e querer fazer acontecer, seria o cômodo para ela. Mas eu não vi reciprocidade nisso, afinal eu gostaria que ela lutasse tanto quanto eu para fazer acontecer ou pelo menos para sonhar que acontecesse. 

Se alguma outra pessoa vai aparecer em meu caminho? Eu tenho certeza que sim. Se vai valer a pena? Eu não poderia dizer agora. Tudo é sempre tão confuso quando falamos sobre sentimentos que não podemos provar por a mais b. Nosso sentimentos são coisas incontroláveis que não iremos escolher hora, não escolheremos lugar e pode ter certeza que nunca iremos escolher a pessoa que irá nos despertar para eles.

O que eu posso fazer então? Viver.

Sei que eu descobrirei todas as minhas respostas, porque o que eu decidi depois de pensar tanto e entender realmente o que eu sentia é que vou viver cada sentimento com toda minha intensidade a partir de agora. Seja ele bom ou ruim, eu tenho que aprender a me entregar em cada atitude que venha a tomar sem tentar rotular com alguma certeza, e tudo isso porque eu não vou nunca ter certeza de que o que eu imagino como certo terminará como eu espero.

Acho que eu devo terminar tudo isso com um obrigado. Obrigado por me fazer abrir meu coração, quando eu nem mesmo sonhava que houvesse um dentro de mim. Obrigado por levar tudo o que eu sou a tona e me fazer ver que existe muito mais de mim para ser descoberto do que eu posso imaginar. Obrigado por me trazer o colorido a minha vida quando estava perto e me fazer perceber que um dia nublado pode ser perfeito para se abrigar com pessoas que lhe trarão calor nesse dia frio.

E finalmente, muito obrigado, por me fazer viver.


Fernando Vilela Paciencia.